segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Como ter uma discussão saudável

              Antes de começar a falar sobre a discussão, gostaria em primeiro lugar, tentar definir o sentido da palavra discussão, e para isso, estarei usando as palavras do Dr. Gary Chapman:
“Antes, permita-me esclarecer o que quero dizer quando uso a palavra ‘discussão’. Trata-se de um termo bastante conhecido na área do Direito. Os advogados e promotores apresentam e discutem seus argumentos para mostrar que a pessoa que defendem ou acusam é culpada ou inocente. Esses argumentos são declarações que os advogados e promotores fazem com base nas evidências disponíveis. A função deles é a de apelar ao senso lógico e à razão do júri. A conclusão é óbvia: qualquer pessoa racional há de concordar com meus argumentos. De vez em quando, um advogado ou promotor também pode apelar para as emoções do júri, mostrando aspectos do caso como objetivo de cooptar a simpatia dos jurados e convencê-los de seus argumentos.
Num tribunal, a discussão dos argumentos é absolutamente permitida. Na verdade, nenhum processo pode ser levado a juízo sem que os dois lados apresentem seus argumentos. O advogado e o promotor apresentam evidências e suas respectivas interpretações na tentativa de convencer o júri de que a posição que cada um defende é a que está com a razão. É possível cruzar os depoimentos das testemunhas, e as conclusões também podem ser questionadas. O sistema jurídico é baseado na suposição de que, por meio da discussão dos argumentos e contraargumentos apresentados, o júri terá mais recursos para descobrir a verdade da culpa ou da inocência do réu.
Todos nós sabemos que a causa da justiça nem sempre é servida de maneira apropriada num tribunal, mas, na pior das hipóteses, é dada alguma solução ao caso que está sendo julgado [...] Em todos estes casos, alguém ganha e alguém perde. Quando isso acontece, uma das partes provavelmente ouvirá seu advogado fazer um comentário mais ou menos assim: “Pensei que nossos argumentos fossem bons, pelo jeito, o júri não se convenceu de nossas razões”. Já o advogado da  outra parte, a vencedora, deve dizer algo como: “Ganhamos o caso. Os argumentos eram consistentes, e acho que o júri reconheceu com quem estava a verdade”.
Quando você opta por discutir com seu cônjuge, na verdade está fazendo uma escolha: a de usar um sistema jurídico para convencê-lo da verdade e da propriedade de sua opinião. Infelizmente, o que funciona relativamente bem num tribunal não serve muito para o relacionamento conjugal, pois não há juiz disponível para determinar qual das duas partes está com a razão e qual não está. As discussões logo ficam carregadas de emoção, e é possível que você acabe falando em tom agressivo, gritando ou chorando; dizendo coisas que destruirão o caráter da pessoa com quem convive; colocando em dúvida os motivos que ele ou ela apresenta; e condenando o comportamento do cônjuge, classificando-o como grosseiro indelicado ou descontrolado
Quando você briga com o cônjuge, o objetivo que tem em mente é o mesmo que teria se estivesse num tribunal: tudo o que deseja é ganhar a causa. Você quer que o seu lado da questão receba o benefício da justiça, e que seu cônjuge seja considerado culpado das suas acusações. É isso que há de tão prejudicial nas brigas e discussões”[1].
                A forma de discutir saudavelmente não descobri por acaso, e muito menos sou eu o autor desta descoberta. Também sou uma das pessoas que tive um problema sério de relacionamento. Pensava dentro de mim, a razão destas discussões tão fortes, sendo que as minhas intenções foram boas. Foi quando à procura desta razão, eu encontrei as bibliografias do Dr. John Gottman, onde ele fez uma pesquisa bastante profunda sobre os relacionamentos conjugais. Ele é o  professor de psicologia da Universidade de Washington, e também terapeuta dos casais.
                Uma das coisas que me chama a atenção, é que depois de ter lido as suas bibliografias, e ter aplicado no meu dia a dia, houve uma mudança radical. Também tenho orientado a vários casais, e todos eles também experimentaram as mudanças dentro de suas casa. Em outras palavras, quero dizer que todas as pessoas podem experimentar esta mudança dentro de suas casa. Os livros que ele tem escrito são livros com fundamentos científicos, onde ele dedicou grande parte da sua vida em experimentos com diferentes tipos de casais.
                A causa do Dr. Gottman ter feito estas pesquisas foi porque ele também sofreu o divórcio quando tinha 31 anos de idade. Quando ele apenas começava a sua vida de docência, a sua esposa fez as malas e saiu dizendo que já não podia mais conviver com ele. Por mais que ele pensasse, não conseguia entender a razão dela tê-lo deixado, sendo ele uma pessoa inteligente e de bom coração. O que mais o preocupava, é por ter sido divorciado com 31 anos, o seu coração começou a temer a quantidade de divórcios que ele teria de enfrentar nos próximos 40 a 50 anos de vida. Por isso, ele começou a pesquisar cientificamente para impedir os futuros possíveis divórcios. Desde o anos 1971 ele começou a fazer a pesquisa cientificamente, visitando o convívio dos casais pessoalmente. Dr. Gottman não buscou as teorias nem as filosofias de vida, e sim a praticidade da vida das pessoas, pois, como ele desconhecia das formas de enfrentar as diferentes situações, ele quis aprender de perto vendo o convívio das pessoas. Gottman quis saber as causas pelo qual os casais conseguiam ter um relacionamento saudável, e as causas dos casais se divorciarem. Visitou aproximadamente a 3.000 casais todos os finais de semana gravando o convívio de cada casal, para saber que tipo de conversa eles tinham, o que eles faziam, como discutiam, e como enfrentavam as diferentes situações. Também observou os fatos fisiológicos, como por exemplo: quando estão alterados, o quanto sobe a sobrancelha, o quanto sobe o tom de voz, qual é a frequência do batimento cardíaco, como também, anotou as profissões, as personalidades, a situação financeira de cada casal, etc.
                Até antes dele começar a pesquisa, ele pensava também que a causa do divórcio fosse pelas diferenças de personalidade, dos vícios, das agressões, ou por causa dos sogros e/ou parentes. Mas, depois da pesquisa, chegou à conclusão de que todas estas causas são nulas para o divórcio. Então, concluiu dizendo que por não ter diagnosticado direito, nós não soubemos remediar de forma adequada. Não é pelo fato da pessoa ser introvertida ou extrovertida que o casal tem um convívio melhor, e muito menos pelo fato dos dois terem uma mesma personalidade, ou uma personalidade totalmente oposta. A causa do divórcio era pela forma de discussão do casal. Em outras palavras, o divórcio não acontece pelo conteúdo da discussão, e sim pela forma.
                Com base a esta pesquisa, vemos que existem quatro formas nocivas de discussão. As quatro formas nocivas de discussão, não vem das atitudes, e sim das formas de se expressar. São elas:
a) Crítica.
Uma forma de atacar a pessoa enfatizando nas suas fraquezas;
b) Defesa.
Todas as pessoas que são atacadas, elas buscam uma forma de se defender, e neste caso, seria a forma de se defender apontando também a fraqueza do “adversário”. As pessoas podem perguntar se o ato de se defender é tão nocivo para levar um casamento a um divórcio. A resposta é afirmativa, pois quando as pessoas começam a discutir atacando e se defendendo, as discussões começam a se tornar pesadas, e quando perceber que a situação está ficando desfavorável para si, então começa a ir para o passado apontando as atitudes similares tomadas naquela época, trazendo as outras pessoas (amigos, familiares, conhecidos, companheiros de trabalho, etc.) para dentro da discussão. Quando isso começar a se tornar uma rotina, então um dos dois lados se cansa, e decide então, se separar.
c) Comparação.
É a forma mais nociva dentro de uma discussão. É quando a pessoa começa a comparar a outra pessoa consigo mesmo, tirando a autoestima da outra pessoa. Também pode ser desvalorizando a pessoa, ou até mesmo colocando apelido na pessoa. Estas atitudes mostram que a pessoa se compara com a outra fazendo-se superior a ela tanto na ética, como também na inteligência, ou até mesmo nos seus talentos. O fato de inferiorizar a pessoa é tão nociva que, segundo os estudos, dentro de quatro anos, a pessoa que é comparada (inferiorizada), sofre de enfermidades infecciosas agudas, onde uma das enfermidades mais comuns são as enfermidades renais.
d) Criar muro.
Depois de várias tentativas, quando perceber que já não existe um acordo, então o casal começa a criar muros, ignorando a presença da outra pessoa, ou seja, fazendo de conta que a outra pessoa não existe.
                Estas são as quatro formas de levar um casamento para o divórcio. Mas, se analisarmos bem, podemos dizer que tirando estas quatro formas de  discussão, não existem outros motivos para se discutir.
                Podemos comparar estas quatro formas nocivas de discussão com o veneno. Já que nós encontramos o veneno, agora é a hora de buscar o antídoto para poder curar a relação envenenada.
                Encontramos dois tipos de casais. Aqueles que discutem e logo em seguida se reconciliam, e a proximidade do casal se faz mais forte e resistente, onde o relacionamento melhora, se enche de esperança. E aqueles que a discussão leva o casal para um relacionamento patológico.
                Tem-se perguntado por quê o primeiro grupo consegue superar todas estas barreiras mesmo discutindo como todos. A resposta é que o primeiro grupo usa o antídoto adequadamente em seu relacionamento. Os antídotos são:
a) Em vez de criticar, pedir em primeira pessoa.
Um exemplo comum, é quando um dos cônjuges (que neste caso citarei aos maridos), chega tarde para casa e não janta o jantar que a esposa preparou.
A forma crítica de se expressar seria: “Você poderia ter ligado já que chegaria atrasado”. “Você sempre se esquece”.
Quando a conversa começa com você, geralmente é uma forma de criticar o próximo.
O antídoto neste caso seria: “Ontem eu pensei que você fosse cedo, e preparei um strogonoff que você tanto gosta. Mas como você se atrasou, a comida se esfriou e fique um pouco chateada.”.
Desta forma poderia tornar uma conversar mais amena, e quando a outra pessoa ouvir a sua queixa, sem dúvida também refletirá e pedirá desculpas pelo atraso.
Este exemplo, é um exemplo comum que coloquei para ilustrar a crítica e o seu antídoto. Mas, o fato é que muitos casais sofrem por causa destes dois pontos nocivos (crítica e defesa). Se as pessoas soubessem que a crítica fosse tão nociva, não teriam usado em seus passados, mas, pela falta de informação muitos casais usaram esta ferramenta nociva, e hoje sofrem de um relacionamento patológico.
Segundo a pesquisa do Dr. Gottman, diz que as mulheres são as que mais criticam, e os homens são os que mais criam os muros no relacionamento. Mas, isto não é uma via de regra, pois posso dizer que eu sendo um homem, também já tenho criticado muito as pessoas, assim como também existem homens que criticam mais do que as mulheres.
                Gostaria de citar o exemplo de um casal amigo que fiz nos Estados Unidos. David é um coreano que se imigrou para os Estados Unidos desde criança, e a sua esposa Jane, foi para os Estados Unidos já jovem, para terminar o seu mestrado na faculdade. Apesar da Jane ter morado vários anos nos Estados Unidos, ela não conhecia a vida social dos americanos pela razão dela ter-se dedicado os anos de estudo dentro da faculdade. A rotina dela era sala de aula, biblioteca, comedor, biblioteca e dormitório. Em contraste com a Jane, David cresceu nos Estados Unidos, tem bastantes amigos americanos e a sua convivência é mais “americanizada” do que coreana. Depois dois se casarem, David, por ser professor da faculdade de engenharia civil, convidou os seus colegas de trabalho. Jane, por não conhecer a cultura americana, ao saber do convite fez um banquete no estilo coreano, e no dia seguinte ficou de cama, pois teve que preparar a comida e lavar as louças sozinha. Quando David viu esta cena, ficou bravo com a Jane e começou a criticar dizendo: “Você não deveria ter preparado tudo aquilo. Viu só no que deu? Você que tem o mestrado, e ensina para os jovens, não tem a sabedoria para fazer as coisas?”. Estas palavras foram bastante duras para Jane. Ela somente quis fazer o que sempre viu a sua mãe fazer em casa, evitando que a reputação do seu esposo caísse. Ao escutar as críticas do seu marido, logo começou a criar muros no seu relacionamento. O que ela não entendia, era que na sociedade americana, quando se faz um convite, eles preparam apenas alguns sanduíches e o vinho. Por outro lado, David não conseguia compreender a forma da Jane expressar o amor.
                Nós podemos ver que o David começa com a crítica das ações da Jane, e Jane, por outro lado, faz a sua defesa. As suas discussões sempre foram de crítica e defesa, até que um dia vieram me procurar pedindo por uma ajuda. Talvez, se David tivesse sido um pouco mais amoroso e agradecesse pelo esforço da Jane de ter preparado o “banquete”, isso pudesse ter animado mais a sua esposa. A expressão que David usou foi: “Você é sempre exagerada nas coisas. Até quando você continuará sendo exagerada?”. Podemos notar duas palavras que resultaram em desencadeamento de uma discussão: “Você” e “Sempre”. O fato de ter-se dirigido a segunda pessoa “você”, e enfatizar o tempo “sempre”. “Sempre”, “todas as vezes”, “maior parte do tempo”, são expressões que muitas vezes são usadas para uma crítica. A segunda frase do David, “até quando você continuará sendo exagerada?”, podemos interpretar a uma comparação. Jane se sentia comparada em relação ao tempo e duvidava inclusive das suas ações. Expressões que levou Jane a perder sua autoestima diante do David.
                Por outro lado, Jane não conseguia compreender as atitudes de David, levando a pensar que David estava equivocado em suas ações. Quando recebeu as críticas do seu esposo de não ter senso da realidade, ela se defendia negando a afirmação de David. E aqui nós podemos ver um segundo antídoto para enfrentar a situação.
b)      Reconhecimento
No caso da Jane, se ela reconhecesse só um pouco que ela havia exagerado no preparo da comida, David por outro lado poderia esclarecer a sua preocupação por ela. Em outras palavras, se Jane em vez de se defender, tivesse reconhecido um pouco do seu exagero, David também estaria reconhecendo que ele também havia sido duro com ela. Nós precisamos começar com a premissa de que todos nós somos falhos, e nós também temos o direito de errar. No caso da Jane, não era um erro a sua atitude, e sim, um forma de demonstrar o seu amor e a sua preocupação por David. Mas, no momento em que os dois reconhecem o exagero, tanto no preparo como na expressão, a conversa seguinte fluirá de forma mais suave, onde cada um estaria explicando a razão das suas atitudes.
Se nós formos analisar, podemos dizer que na sociedade existem apenas três tipos de conversa:
1. Conversa que se aproxima;
A conversa que se aproxima é aquela conversa onde ambos mostram interesse no tema da conversa. Por exemplo, quando o esposo comenta que no final de semana a globo transmitirá o jogo de futebol, a esposa poderia estar demonstrando o interesse perguntando quais são os times que estarão jogando.
Segundo as pesquisas, em uma conversa que se aproxima, além de fazer com que o coração de ambos se aproxime, fisiologicamente faz com que o nível de estresse abaixe em alta porcentagem.
2. Conversa que se afasta;
Uma conversa que se afasta a pessoa, é quando um dos lados diz algo, e o outro responde com uma resposta totalmente incoerente. Por exemplo, o marido pode comentar que nesta noite o seu time estará jogando e será transmitida no canal aberto, e a esposa incoerentemente olhar para a janela e responder dizendo: “olhe para a janela, as flores estão lindas”. Ou seja, apesar dos dois “conversarem”, por não existir uma coerência em suas conversas, o coração de ambos começa a se distanciar.
3. Conversa que cria inimizade.
Quando uma pessoa expõe a sua idéia e o outro encara, critica ou zomba desta idéia, é uma conversa que cria inimizade. Por exemplo, no caso do David e Jane, se o David criticasse a Jane “por que você fez tanta comida assim?”, e a Jane respondesse “o que você quer que eu faça? Você convida as pessoas e quer que fique de braços cruzados?”. Esta forma de encarar o parceiro é forma de chamá-lo para uma possível inimizade. Segundo as pesquisas feitas pelo Dr. Gottman, diz que nestes casos, o coração de ambos fica acelerado, e o nível de estresse sobe significativamente.
Um outro exemplo que posso citar é de um casal que atendi recentemente onde a esposa veio me procurar bastante triste. Na semana anterior, o casal havia viajado para o interior e ela se maravilhou presenciando a beleza da lua cheia. Maravilhada com aquela imagem, chamou o seu marido para contemplar juntos, mas o seu marido fez uma crítica bastante severa dizendo: “Olhe só para a sua idade. Nós já vimos esta lua cheia diversas vezes na vida. Você já passou da idade de se viver no mundo da fantasia”.
No caso da conversa que se aproxima, motiva a continuidade da conversa, pois o diálogo é saudável e faz com que ambos se sintam bem. Dr. Gottman diz que a conversa que se aproxima é um depósito da emoção.
                Quando nós falamos de depósito, logo pensamos na nossa conta bancária, onde depositamos parte do nosso salário e desta conta é descontado os gastos dos cartões de crédito ou dos pagamentos automáticos que inserimos nestas contas. Da mesma forma, as emoções do casal também têm uma integração, que dependendo do quanto prestam os favores, dão a atenção, demonstram o afeto, ou zelam um pelo outro, a tudo isto o Dr. Gottman diz que é o depósito das emoções conjugais. É neste caso, quando há uma conversa de aproximação, o depósito das emoções conjugais vai-se acumulando, e quando se tem uma conversa de afastamento, ou que crie uma inimizade, é debitada da conta das emoções conjugais. Alguns sintomas que aparecem quando é debitada da conta das emoções conjugais, é que um dos cônjuges, ou ambos se irrita facilmente, cria-se uma hostilidade, se entristece, se deprime, tem o desejo de se ausentar de casa, ou entra em desespero. Todos estes são sintomas de que tenha se debitado da conta das emoções conjugais. Em oposição a estes sintomas, quando for acumulando a conta das emoções conjugais, aparecem alguns sinais como: sorrir bastante, a expressão facial é tranquila, demonstra otimismo, é esperançoso,  consegue perdoar facilmente, tem o desejo de fazer melhor ao próximo, está sempre agradecido, é feliz, e transmite o otimismo ao próximo.
                Um dos pontos importantes que se destaca, é que para poder acumular a conta das emoções conjugais não é preciso ter um bom coeficiente de inteligência, ou seja, não é preciso ser inteligente, muito menos tem um requisito dos estudos acadêmicos, ou da posição social e/ou financeiro. Qualquer pessoa que deseje e se comprometa em acumular a conta das emoções conjugais, com um pouco de esforço, ao prestar um pequeno favor, ou dar um pouco de atenção e zelo, faz com que aos poucos vá se acumulando esta conta. Do contrário, quando nos irritamos sem motivo, ou comparamos o nosso parceiro com as situações e/ou pessoas, diz-se que a conta das emoções conjugais é debitada bruscamente. Quando nós soubermos destas “armadilhas” e tomarmos o cuidado, com o tempo a conta irá se acumulando, e no futuro, quando houver alguma equivocação de uma das partes, a pessoa ofendida conseguirá perdoá-lo facilmente.


[1] Chapman, Gary (2008), Zero a Zero, pág. 14-16, Editora Mundo Cristão, São Paulo, S. P., Brasil.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

A glória de Jesus

A glória de Jesus que resplandece junto com Seu trono
Brilha como o sol
Os anjos cantam com tremor
A grandeza da autoridade e a incomparável misericórdia do Senhor.

Foi o Senhor quem deixou toda a Sua glória
Para me salvar a este pecador condenado à morte
E carregou a vergonhosa cruz
Por este pobre pecador.

O fato da minha existência é simplesmente a graça de Jesus
E a minha maior alegria é poder vencer as potestades com a Sua ajuda
Quando for diante do Seu trono com o meu corpo aperfeiçoado
E presenciar a Sua glória, a alegria transbordará em meu coração.

Pr. Paulo Kim

terça-feira, 14 de junho de 2011

Oração do atardecer

Senhor, esteja comigo na escuridão do atardecer
Console o meu coração quando os meus amigos já não puderem me consolar.
Os dias da minha vida passam rápido
E a glória do meu sucesso tem curto prazo
Tudo neste mundo se transforma de forma rápida
Senhor que é imutável, esteja sempre ao meu lado.

Senhor que repreende a todo mal
Esteja sempre ao meu lado
Quem poderá me proteger assim como o Senhor me protege?
Deus de amor, seja sempre com a minha pessoa.

Quando este corpo se deteriorar e fechar os meus olhos
Mostre-me a Sua cruz resplandecente
Console toda minha tristeza
Deus da vida, esteja sempre presente em meu ser.

Pr. Paulo Kim

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Reflexão do dia

Qual o dia mais belo?
Hoje
A coisa mais fácil
Enganar-se
O obstáculo maior
O medo
A raiz de todos os maus
O egoísmo
A distração mais bela
O trabalho
A pior derrota
O desconsolo
Os melhores professores
As crianças
A primeira necessidade
Comunicação
O que deixa mais feliz
Ser útil aos demais
O maior mistério
A morte
O pior defeito
Mau humor
A pessoa mais perigosa
A mentirosa
O pior sentimento
O rancor
O presente mais belo
O perdão
O mais imprescindível
O lar
A rota mais rápida
O caminho correto
A sensação mais grata
A paz interior
A proteção mais eficaz
O otimismo
A maior satisfação
O dever cumprido
A força mais potente do mundo
A fé
As pessoas mais necessárias
Os pais
A coisa mais bela de todas
O amor


Todas estas respostas são subjetivas.
Para todas as perguntas citadas acima, não existem as respostas corretas ou incorretas. Simplesmente cada resposta reflete um pouco dos nossos estados emocionais de cada dia. São perguntas onde nos ajudam a refletir no dia a dia, o nosso caminhar com o Senhor.

sábado, 16 de abril de 2011

RULES FOR BEING HUMAN


  1. You will receive a body. You may like it or hate ir, but it will be yours for the entire period this time around.
  2. You will learn lessons. You are enrolled in a full-time informal school called life. Each day in this school you will have the opportunity to learn lessons. You may like the lessons or think them irrelevant and stupid.
  3. There are no mistakes, only lessons. Growth is a process for trial and error and experimentation. The “failed” experiments are as much a part of the process as the experiment that ultimately “works”.
  4. A lesson is repeated until learned. A lesson will be presented to you in various forms until you have learned it. When you have learned it, you can then go on the next lesson.
  5. Leraning lessons does not end. There is no part of life that does not contain its lessons. If you are alive, there are lessons to be learned.
  6. “There” is no better place than “here”. When your “there” has become a “here”, you will simply obtain another “there” that will again, look better than “here”.
  7. Others are merely mirrors of you. You cannot love or hate something about another person unless it reflectsto you something you love or hate about yourself.
  8. What you make of your life is up to you. You have all the tools and resources you need. What you do with them is up to you. The choice is yours.
  9. Your answers lie inside you. The answer to life’s questions lie inside you. All you need to do is look, listen, and trust.
  10. You will forget all this.


Author unknown
Found on a refrigerator in Toronto.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

DIÁRIO DE UM BEBÊ POR NASCER

05 de outubro: hoje começa a minha vida, meus pais ainda não sabem. Sou tão pequena como uma semente de maçã, mas já sou EU. Apesar de que quase não tenha forma ainda, serei uma menina. Terei cabelos loiros e olhos azuis, e sei que gostarei muito das flores.

19 de outubro: tenho crescido um pouco, mas ainda sou muito pequena para poder fazer alguma coisa por mim mesma. Mamãe o faz tudo por mim, mas o mais gracioso é que nem sequer ela sabe que está me levando consigo, precisamente debaixo do seu coração, alimentando-me com o seu próprio sangue.

23 de outubro: minha boca começa a cobrar forma. Parece incrível. Dentro de um ano e pouco, mais ou menos, eu estarei rindo e mais tarde já poderei falar. Desde agora sei qual será a minha primeira palavra: Mamãe. Quem se atreve a dizer que ainda não sou uma pessoa viva? Com certeza que sou, assim como uma pequena migalha de pão é verdadeiramente um pão.

27 de outubro: hoje começou a bater o meu coração por si só. De agora em diante, baterá suavemente toda a minha vida, sem se deter para descansar. Logo, depois de muitos anos, sentirá com fatiga e se deterá e eu morrerei. Mas agora não sou o fim, e sim um início.

02 de novembro: cada dia cresço um pouquinho, os meus braços e as minhas pernas estão tomando forma. Mas quanto mais terei que esperar até que as minhas perninhas me levem correndo aos braços da minha mãe, até que os meus braços possam estreitar-se ao meu pai?

12 de novembro: nas minhas mãos começam a formar-se alguns dedos pequenos. É estranho o quão pequeno  são, mas, como serão maravilhosos. Acariciarão os cachorrinhos, recolherão flores, tocarão outras mãos. Meus dedos talvez algum dia possam tocar o violino ou pintar um quadro.

20 de novembro: hoje o médico anunciou à minha mãe pela primeira vez que eu estou vivendo aqui debaixo do seu coração. Você não está feliz, mamãe? Em breve estarei entre os seus braços.

25 de novembro: meus pais ainda não sabem que eu sou uma menina, talvez esperem por um menino. Ou talvez gêmeos. Mas eu lhes darei uma surpresa; quero que me chamem de Carolina como a minha mãe.

13 de dezembro: Já posso ver um pouquinho, mas estou enrolada pela escuridão. Em breve, os meus olhos se abrirão ao mundo do sol, das flores e dos sonhos. Nunca tinha visto um mar, nem uma montanha, menos ainda um arco-íris. Como serão na realidade? Como você é, mamãe?

24 de dezembro: Mamãe, eu posso ouvir o seu coração bater. Será que a senhora consegue ouvir o pequeno batimento do meu coração? Como um murmuro sempre igual: tum-um-yom, terá uma filha saudável mamãe. Sei que algumas crianças têm dificuldades ao entrarem no mundo, mas há médicos bondosos que ajudam às mães e aos recém nascidos. Sei também que muitas mães teriam preferido não ter a seu filho. Mas estou ansiosa de encontrar-me em seus braços, de tocar-lhe o seu rosto, o olhar aos seus olhos. A senhora me espera com a mesma alegria que eu por ti?

28 de dezembro: O que está acontecendo? O que estão fazendo? Mamãe, não deixe que me matem. Não, não mamãe: Por quê tens permitido que pusessem o fim na minha vida? Teríamos sido tão felizes...

quarta-feira, 13 de abril de 2011

ASPECTOS PSICOLÓGICOS NO TRATAMENTO DO PACIENTE ONCOLÓGICO EM FASE TERMINAL E SUA FAMÍLIA

Introdução
            Em muitos casos, a morte forma a parte inseparável da vida do homem e resulta utópico tentar esquecer ou negá-la. Inclusive tem sido descrito como ingrediente necessário do viver de cada dia e não deve desestimar seu reflexo e fragmentada comunhão em cada uma das pequenas “mortes parciais” às que nós enfrentamos ao longo da nossa vida. Por morte parcial, entende-se “toda nova situação ou acontecimento que nos força a deixar de ser de uma forma para que ter que viver ou ser de outra nova e ainda desconhecida” (Fernández –Martos, 1984). É a nossa maneira de afrontar estas pequenas perdas ou mortes parciais ao longo da nossa vida (por exemplo, perdas de amigos, parceiros, trabalhos, etc.) a que determinará em grande parte, como nos enfrentaremos à Grande Morte, que representa o final de toda a vida. Quanto mais dominante e agressivo tenha sido um indivíduo durante o curso de sua vida, mais lutará diante da morte. Não se submeteu na vida, muito menos o fará diante da morte. Pelo contrário, indivíduos mais humildes e resignados durante a sua vida, geralmente enfrentarão a morte com uma maior passividade. Assim viveu, assim morreu.
          Nesta seção, descobriremos as reações psicológicas e psiquiátricas mais freqüentes em pacientes oncológicos terminais: os temores, a ansiedade, a depressão e os transtornos orgânicos mentais. Oferecerei pautas básicas na comunicação com o paciente e descreverei assim mesmo, o impacto da enfermidade oncológica terminal na família do paciente e as reações de luto.

Reações psicológicas diante da terminalidade
Temor
            Apesar do papel tão significativo que tem a morte na nossa vida cotidiana, o temor a ela é um enormemente arraigado na cultura ocidental. Os meios de comunicação, as representações simbólicas e as pressões familiares e sociais são só alguns dos fatores que favorecem o desenvolvimento de uma representação fictícia da morte. Nossos temores à morte – geralmente encobertos – ficam refletidos em nossos comportamentos e atitudes. O uso de eufemismos que substituem às palavras morte e morrer (por exemplo, expressões em inglês tais como He passed away, que significa "Tem passado", ou He went to meet his Maker, que significa "Tem ido ao encontro com o seu Criador"); as casas funerárias nos Estados Unidos onde se fazem grandes esforços para melhorar a aparência física do morto até produzir-lhe um aspecto saudável e paradoxalmente, cheio de vida; o reduzido tempo permitido pelos centros de trabalho para elaborar as reações de luto, traz a perda de um ser querido; a crescente tendência a morrer em hospitais em vez de domicílios; e o esconder os velórios da vista pública nos hospitais de algumas sociedades ocidentais, refletem a necessidade de manter a morte o mais longe possível da vida.
            Alguns temores à morte estão intrincados em conflitos psicopatológicos: são estes os conectados a fantasias pouco realistas. Um exemplo é o que constituem os indivíduos neuróticos que constantemente tentam ficar longe de todo o risco de morte. A força do querer conservar a vida (por exemplo, através de movimentos que se convertem em rituais e estereotipados, de lavados freqüentes para evitar o contato com os germes, da observação excessiva dos hábitos de comida e bebida, da evitação de viagens por temos a acidentes, etc.), vão perdendo miseravelmente. São os indivíduos que vivem a pleno pulmão e mais, desfrutam da vida aqueles que os rodeiam inevitavelmente à morte (Fernández – Martos, 1984).
            Os grupos de indivíduos afetados pelas enfermidades que ameaçam suas vidas são aqueles que desenvolvem temores realistas sobre a morte. Nestes casos, os temores à morte têm um fundamento racional baseado no deterioro progressivo da condição humana. Daí surge a grande parte da dificuldade em nossas tentativas para aliviar os medos dos moribundos. Ao contrair uma enfermidade como o câncer, que pode devorar-lhe, o paciente interpreta ou inclusive antecipa as mudanças físicas como mortais. É provável que a presença de sintomas físicos produzam temor, mas este, está presente previamente à aparição de tais sintomas. O corpo, uma vez considerado como um aliado, pode aparecer como um adversário “dormente”, programado para a traição. Portanto, os pacientes em situação terminal desenvolvem numerosos temores, inclusive antes de experimentar um deterioro físico significativo. A perda de autonomia, a deformidade e os câmbios na aparência física; a separação dos seres queridos; o converter-se em um peso familiar e social ou em um ser repulsivo; a perda de funções corporais; a incerteza; o enfrentamento ao desconhecido; a evitação, em alguns casos imaginada, por parte da equipe sanitária; e a dor e o sofrimento psíquico e físico são alguns dos temores expressados com maior freqüência pelos nossos pacientes. O temor à solidão e o isolamento é um que se tem visto reforçado durante a história da humanidade e acentua-se durante o processo do morrer. É freqüente observar que à medida que um indivíduo envelhece e se aproxima ao momento de morrer, seres queridos ao seu redor vão indo, suscitando temores e perguntas sobre a própria morte.
            O temor à perda de controle sobre o próprio destino é também freqüente na etapa terminal. Pessoas que contam com crenças religiosas, ao ter a fé em uma vida eterna, geralmente afrontarão sua morte com uma maior serenidade do que aqueles que carecem de explicações sobre o seu próprio destino.


Ansiedade, Depressão e Transtornos Orgânicos Mentais
            Além dos temores experimentados pelos pacientes com câncer terminal, os transtornos da ansiedade, do estado de ânimo e os transtornos orgânicos mentais são freqüentes nesta população. Tem-se estimado a incidência de transtornos psiquiátricos em pacientes oncológicos terminais em um 53% (Minagawa et al., 1996). Neste estudo, se observou que destes 53% de pacientes, 42% apresentavam alterações ou deterioros cognoscitivos. Síndromes confusionais foram diagnosticados em 28% dos pacientes; demências em 10.7%; transtornos de adaptação em 7.5%; transtornos amnésicos e depressões em 3.2%, e ansiedade generalizada em 1.1% da mostra estudada.
            A incidência global de transtornos psiquiátricos não difere entre os grupos de pacientes com câncer terminal e aqueles com câncer em outras fases da enfermidade. Mas, no primeiro grupo de transtornos psiquiátricos mais freqüentes, são aqueles com uma base claramente orgânica, enquanto que na população oncológica geral, os transtornos mais comuns são os transtornos de adaptação (Derogatis et al., 1983).
            São numerosos os motivos pelos que um paciente terminal pode desenvolver transtornos de ansiedade que requeiram a atenção da equipe especializada. Sintomas de ansiedade incluem insônia, hiperatividade autonômica, tremedeira, sudoração nas palmas das mãos, palpitações, hiperventilação, redução no nível de concentração, sensação de afogamento, boca seca, incomodações abdominais, diarréia e anorexia entre outros. Com o fim de proporcionar o tratamento adequado, é sempre necessário tentar identificar a origem da ansiedade experimentada pelo paciente. As causas da ansiedade em pacientes oncológicos terminais podem-se classificar em três categorias:
  1. Fatores orgânicos que incluem alterações metabólicas como anemia ou hipertemia; alterações neurológicas como pode ocorrer em caso de existir metástase cerebral; administração de determinados fármacos tais como cloruro mórfico ou cortico-esteróides; condições endócrinas como hipercalcemia, hiper ou hipotiroidismo, etc.
  2. Fatores psicológicos relacionados com o enfrentamento à perda da própria vida; ao deterioro físico e psicológico progressivo; ao isolamento social e familiar; e aos conflitos pessoais que tenham podido ficar “sem resolver”.
  3. Transtornos psiquiátricos primários: A ansiedade pode formar parte de transtornos psiquiátricos primários, tais como transtornos de adaptação com o ânimo ansioso, ataques de pânico, fobias, transtornos de ansiedade generalizada, ou depressões agitadas.
             Um bom controle da ansiedade implica uma avaliação médica detalhada que descarte fatores orgânicos que a estejam causando (Holland, 1989), a identificação e correção destes sempre que seja possível, e uma exploração psicológica que permita não só descrever o síndrome ansioso, senão também conhecer ao paciente para poder oferecer o conselho psicológico adequado. O uso por parte da equipe especializada, de psicoterapias de apoio e de técnicas cognitivo-condutuais tais como a relaxação passiva e a reestruturação cognitiva para controlar a ansiedade soam ser enormemente eficazes.
            Assim como no caso da ansiedade, os sintomas da depressão podem muitas vezes ter uma causa orgânica ou funcional. Em pacientes oncológicos terminais, é freqüente que ambas influenciem no paciente acentuando o ânimo depressivo. É freqüente que a depressão não diagnostique com freqüência com a que geralmente ocorre nesta população. Desgraçadamente, ainda se considera “normal” que alguém que está morrendo esteja deprimido. Mas, sabemos que a morte em si mesma nem sempre é motivo de depressão e que só uma pequena parte dos pacientes com câncer avançado cumprem os critérios para o diagnóstico de uma depressão maior. Isto implica que nem sempre um paciente que deseje um tratamento ante-depressivo (já seja farmacológica ou de outro tipo) vá receber.
            O diagnóstico de uma depressão maior na população oncológica terminal é complicado, dado que muitos dos sintomas da depressão podem estar causados pelo avanço da enfermidade ou pelos tratamentos administrados (por exemplo, a anorexia, a fatiga e o cansaço, o retardo ou a agitação psicomotora). Para diagnosticar uma depressão em um paciente terminal, temos que nos concentrar nos sintomas psicológicos (não físicos) da depressão. A presença de sentimentos de impotência e de culpabilidade, a ausência de esperanças, o desejo de morrer e a presença de idéias suicidas, e os sentimentos de inutilidade são bons indicadores de que um paciente possa estar deprimido. A presença contínua e a severidade destes sintomas também podem nos servir de guia para o diagnóstico. É importante também neste caso, que se identifiquem os fatores orgânicos que possam estar contribuindo à aparição da reação depressiva e que estes se corrijam sempre que seja possível fazê-lo. Alterações endócrinas, a administração de determinados fármacos (barbitúricos, coricoesteróides, diuréticos, opiláceos, etc.), infecções, transtornos neurológicos e a presença de determinados tumores (por exemplo, pancreáticos, pulmonares, ou do sistema nervoso central) podem produzir alterações significativas no estado de ânimo.
            Além do mais, fatores psicológicos tais como a perda gradual da autonomia e independência, dos papéis que se têm adquirindo na vida, da integridade física e psicológica, e a separação de seres queridos entre outras coisas obviamente alterarão o estado anímico do paciente. A psicoterapia encaminhada para ajudar ao paciente a realizar revisões de sua via e a facilitar a examinação das questões existenciais que surgem nesta etapa podem ser de grande ajuda sempre que o paciente esteja disposto. O acompanhamento, sobretudo em momentos em que os seres queridos tendem a distanciar-se do paciente; a maior implicação possível do paciente em seu auto-cuidado; a mobilização de fontes de apoio, e a continuidade no cuidado que prestamos ao paciente são algumas formas de ajuda que podem reduzir a reação depressiva. A administração de psico-fármacos para a depressão deve-se fazer sempre que seja necessária, inclusive quando se estime que o tempo de vida do paciente seja muito breve, com o fim de reduzir sua sensação de abandono diante da sua iminente morte, transmitindo-lhe a idéia de que continua fazendo todo o possível para aliviar seus sintomas.
            O desejo de morrer em pacientes com câncer terminal tem sido estudado (Chochinov et al., 1995). Estes pesquisadores observaram que mesmo que os desejos destes pacientes de que a morte lhes sobreviesse, eram freqüentes (referidos por 44.5% dos 200 pacientes terminais entrevistados), somente 8.5% destes reconheceram um desejo persistente e sério de morrer. Este desejo estava correlacionado com pontuações elevadas nas escalas da dor física, com ausência de apoio familiar e mais significativamente, com índices elevados de depressão. Os desejos de morte tinham reduzido duas semanas depois em entrevistas de seguimento. Concluem os pesquisadores que estes desejos estão associados a uma condição que tem um tratamento eficaz – a depressão- e que podem  reduzir com o passar do tempo. Os debates sobre a eutanásia deveriam de ter em conta portanto, a presença de transtornos psicológicos ou psiquiátricos que subjazem ao desejo de morrer e que podem ser corrigidos, assim como a transitoriedade do desejo de morrer em pacientes terminais.
            Os transtornos orgânicos mentais ou encefalopatias, sempre têm uma origem orgânica. Ansiedade, irritabilidade, alterações no ciclo sonho – vigília, mudanças bruscas no comportamento do paciente, redução na capacidade de atenção, desorientação, alterações na memória, alterações perceptuais (alucinações, percepções ilusórias, etc.); alterações psicomotoras (por exemplo, agitação), e sonolência diurna são alguns dos sintomas destes transtornos que requerem atenção imediata (Wise & Rundell, 1988). É difícil tratar estes transtornos em muitas ocasiões dado que a sua causa pode ser irreversível. Tal é o caso dos pacientes com metástases cerebrais. A administração de baixas doses de neurolépticos, a orientação de indivíduos com o uso de calendários e relógios no quarto, e a explicação ao paciente e sua família de que estes sintomas têm uma base estritamente física, estão indicados nestes casos.

A Comunicação com o Paciente Terminal
            O nível de conhecimentos que paciente tem sobre a gravidade da sua enfermidade, determinará em parte, a sua adaptação psico-social. A comunicação com o paciente terminal deverá estar baseada sempre na abertura, a honestidade e a confiança, respeitando-lhe em todos os momentos as necessidades individuais de informação (as quais variam durante o curso da enfermidade) e os mecanismos de defesa empregados pelos pacientes (tais como a negação) que lhe ajudam a manter sua integridade psíquica, sempre e quando estes mecanismos não interfiram com a administração adequada de tratamentos médicos.
            A disponibilidade para ouvir os temores e preocupações expressados pelo paciente sem emitir juízos sobre estes, e respeitando seus silêncios por usa vez  ajudam a dar um sentido no contexto de sua vida e as suas crenças adquirem grande importância. A família do paciente geralmente encontra grande dificuldade em falar com ele sobre sua própria morte. É por isso que o papel que pode assumir o psicólogo e/ou um líder religioso juntamente com a equipe médica a este nível constitui um aporte muito valioso ao bem-estar do paciente. É por isso, da importância de reconhecer também quais são os nossos próprios medos diante da morte que nos impedem falar sobre ela com naturalidade. A escuta empática e um comportamento não verbal que transita serenidade podem ser de enorme ajuda. Com a finalidade de facilitar uma comunicação mais fluída com o paciente, é importante manter determinadas condutas em nossa interação com ele: sentarmos ao seu lado em lugar de permanecer em pé, manter o contato físico com ele (tal como um toque no ombro, ou até mesmo segurar nas suas mãos).

A Família do Paciente Oncológico Terminal
            Um cuidado psicológico integral do paciente oncológico terminal, inclui a família do paciente no processo psico-terapêutico. A evitação ou negação da gravidade da situação diante do paciente e a ansiedade que projetam os familiares sobre ele, acentuam os temores do paciente e impedem à família proporcionar o apoio psicológico necessário.
            Obviamente há uma maior adaptação psicológica em famílias com maior coesão e menos conflitos familiares pré-mórbidos que em famílias onde o apego é menor. A incerteza (“Como vai responder aos tratamentos?”, “Morrerá?”, “Quando?”); a impotência gerada pela alta tecnologia médica e pela natureza da enfermidade; a busca do significado (“Por que a ela?”, “Por que agora, que tudo estava indo tão bem?”); a sensação de fracasso (“Não consegui protegê-lo”); o estigma (medo ao contágio); os sentimentos de culpabilidade por desejar que “já acabe tudo” ou por não passar o tempo “suficiente” com o paciente; o isolamento (separação do círculo social); a ira, e a falta de apoio por parte da equipe médica que em ocasiões se concentram mais no cuidado do paciente do que nas necessidades da família, são só alguns dos efeitos psicológicos que o câncer avançado produz na família do paciente terminal.
            A avaliação da dinâmica familiar em cuidados paliativos é complexa devido ao estresse gerado pela situação e deverá reconhecer a resistência de alguns familiares por compartilhar as informações com outros, as diferentes interpretações que os familiares realizam do comportamento do paciente, e as diversas vivências que cada um tem da enfermidade, além do tipo de relação que o paciente mantêm com cada um dos membros de sua família. A isto devemos acrescentar as reações de luto, ou seja, os sentimentos que resultam da perda de um ser querido que soam aparecem previamente ao falecimento em forma de luto antecipatório: a família se distancia inconscientemente do paciente antes dele falecer, em uma tentativa de se proteger da dor que vai supor a sua perda.
            As manifestações de uma reação de luto em sua forma aguda incluem:
  • Mal-estar físico: sensação de falta de respiração, garganta seca, suspiros freqüentes, sensação de vazio abdominal, falta de energia, tensão e “dor mental intenso”.
  • Imagens do falecido: alucinações visuais, auditivas, e táteis durante as quais o familiar em luto vê, ouve, e sente ao falecido; percepções ilusórias.
  • Sensação de desconexão com a realidade: distância emocional de outros, “anestesia emocional”.
  • Culpa do sobrevivente: Sentimentos de culpabilidade por não ter sobrevivido al falecido ou por estar insatisfeito com os cuidados proporcionados ao paciente antes de morrer.
  • Hostilidade e irritabilidade.
  • Mudanças nos padrões de atividade: falta de concentração e atenção; dificuldade para tomar decisões.
  • Aquisição das características do falecido através de um processo de identificação com ele, processo pelo qual o sobrevivente começa a atuar, expressar-se ou vestir como o falecido.
             As reações de luto podem não ser imediatas após a perda, mas não demoram mais de dois ou três meses. Há vários modelos psicológicos que explicam estas reações, geralmente baseados todos eles no modelo psicanalítico examinado pelo Freud em 1917 e segundo o qual a resolução do luto requer uma retirada gradual da energia psíquica que está invertida no objeto perdido (o falecido), e se completa quando o indivíduo (familiar neste caso) é capaz de reinverter esta energia psíquica em outras relações novas e significativas.
            Quando a reação de luto não segue um processo “normal” pode desembocar no que se denomina um luto complicado ou patológico, por exemplo, em caso de que se produza uma prolongação de qualquer fase ou sintoma de luto, ou quando este se ache ausente, inibido, retardado ou fique mais crônico. Fatores de risco no luto complicado incluem a falta de apoio social; uma relação ambivalente com o falecido; a presença de uma história psiquiátrica pré-mórbida; crise múltipla durante o curso da vida; e uma morte repentina, não antecipada.
            Apesar das demandas físicas e psicológicas que uma enfermidade terminal impõe sobre quem padece e seus seres queridos, tanto uns como outros, soam afrontar esta situação com enorme vontade e espírito de luta. A equipe hospitalar que trabalha no setor de cuidados paliativos, encontra-se em uma situação privilegiada onde  pode se enriquecer significativamente ao poder compartilhar momentos tão íntimos e de grande intensidade emocional com estas famílias, e aprendendo a valorizar aspectos da vida que talvez antes, desestimava.