domingo, 10 de abril de 2011

A arte de ouvir

A ARTE DE OUVIR

Introdução:

            No mundo da cibernética, quando o volume de informações que recebemos por meio das fontes de informação (livros, jornais, revistas, rádio, tapes, CD, DVD, vídeo, televisão ou internet), é uma verdadeira lavagem cerebral. É muito maior do que a nossa capacidade de processar.

            O homem não tem tempo pra falar, pois todos estão falando a ele. Na igreja, no trabalho, na rua (a população do marketing); o homem perdeu o direito de fazer as suas próprias decisões (comer, vestir, beber, etc.).  O homem do final do século passado, passou a ser um número de um computador. Cartões de crédito, de identificação, prontuário, etc. Há um sentimento de solidão em meio da multidão (principal causa de suicídio).

            Jesus, no final das suas mensagens tem usado uma expressão muito significativa: “Aquele que tem ouvidos para ouvir, ouça”, ou seja quem tem ouvidos para ouvir... entenda, compreenda.

            Tenho a certeza que ouvir é uma arte, mas acima de tudo, é um ministério.

            Na sociedade está cheio de pessoas que estão buscando alguém que lhes ouça.

            Mas, ouvir é transcendente. O psicólogo Carl Roger, diz que devemos sobretudo, aprender a ouvir com o terceiro ouvido. Isso não quer dizer ouvir apenas os sons, palavras, e sim, ouvir o que está oculto por trás das palavras. Ouvir é amar.

            Ouvir é uma arte que pode ser desenvolvida. Os princípios abaixo relacionados, postos em prática, o ajudarão na arte de ouvir e aumentará sua habilidade de socorrer as pessoas.

·         Faça uma avaliação da sua atitude íntima.

·         Quais são os seus sentimentos sobre a pessoa que está diante de ti?

·         Tem algum preconceito sobre ela?

·         Existe rejeição; ressentimento, ou alguma predisposição sobre ela?

·         Tem certeza de que tudo isto, vai afetar o significado das palavras que ouvirá dela?

            Existe uma necessidade de tirar os ruídos da comunicação, se não a mensagem chegará com erros de interpretação.

            É preciso ouvir com o terceiro ouvido, ou seja, ter sintonia com a pessoa (ter a empatia), para uma boa comunicação e além de tudo, para ser um bom ouvinte; devemos tirar a cera do nosso ouvido (o receptor tem que estar limpo).

            As palavras perdem seu sentido quando as nossas emoções bloqueiam nossa capacidade de ouvir com objetividade.

·         É preciso ouvir sem julgar ou condenar.

·         É preciso colocar as nossas posições de lado e simplesmente ouvir os verdadeiros sentimentos de quem está falando.

·         Esteja atento (alerta)

·         Leve em conta a tonalidade da sua voz: que estado emocional revela.

·         Uma voz baixa, um falar monótono pode indicar uma depressão emocional.

·         Falar rapidamente e de forma agitada, pode ser uma depressão extrema.

·         É preciso estar atento às mensagens ocultos do tom emocional da voz. Si a pessoa chora enquanto fala, permita que o faça.

Desenvolva a capacidade de avaliar as emoções.

            As palavras são expressões das nossas emoções: convicção, dúvidas, perturbação, irritação, ressentimentos, ódio, ira, alegria, felicidade, auto-estima, baixa-estima, segurança, insegurança, transferência, etc.

            Nós temos que avaliar o conteúdo emocional da comunicação.

            A maioria das pessoas falam em círculos: a pessoa fala e repete tudo que já tinha falado.

            Evite o perigo da distração: enquanto ouvir os seus problemas, virão idéias na sua mente (comunicação facial, olhar, gestos com cabeça, não olhe o relógio).

            Se a pessoa nota a sua distração, cortará a comunicação.

 Faça uma avaliação das emoções que está recebendo.

            É preciso que a pessoa tenha um FEEDBACK das emoções que está transmitindo. Isto significa esclarecer à pessoa como está percebendo seus sentimentos.

“... olha, o que está querendo me dizer é...”

“... o que quer dizer com estas palavras... poderia ser mais claro, mas específico...?”

“... me dá a impressão de que está com vontade de chorar. Se for assim, faça...”

“... me parece que está muito brava com essa pessoa, é verdade?...”

“... está brava com Deus...? Por que não reclama a Ele...?”

Evite a agressão.

·         Não domine a conversação.

·         Quando falamos muito, a pessoa se confunde.

·         Não discuta nem revele a hostilidade ou ressentimento.

·         Não tente manipular às pessoas, nem as engane.

·         Evite a passividade e timidez exagerada.

·         Não há necessidade de concordar com tudo o que a pessoa está dizendo.

·         O mais importante é entender o que ela comunica do que criar uma impressão favorável.

·         Não se prenda pelos detalhes da conversação, identifique as informações básicas, para compreender ao comunicador.

Ouça em silêncio.

            Muitas vezes o silêncio fala mais e é importante para a reflexão e a relaxação.

Normas para ouvir

            Ouvir é um processo, não é discutir. Precisamos ter a empatia com as pessoas que falam.

·         Ouça o que está por trás das palavras, gestos, emoções, etc.

·         Ouça o mundo psicológico, sociológico, político, econômico, cultural, espiritual da pessoa que fala.

·         Revele a compaixão e aceitação, mesmo que as suas convicções pessoais sejam diferentes.

            A pessoa que está apresentando um problema que a ela lhe parece sem solução, aceite seu estado de confusão e ajude a olhar os diferentes aspectos do problema: sua origem, quem está envolvido nele, e ajude-o a encontrar as possíveis soluções.

            Não se deixe de levar pelas ramificações, procure levar à pessoa ao foco principal do problema (focalize as causas e não os sintomas).

            A pessoa precisa ser orientada para tomar as responsabilidades pelas suas decisões. Não se devem tomar as decisões pela pessoa. A última palavra pertence a ela. CUIDADO, muitas vezes as pessoas não querem os nossos conselhos ou opiniões. Sim, mostre a compreensão e paciência para ouvir.

            Algumas vezes a pessoa tenta diminuir o problema. Isto pode significar: falta de confiança na sua ajuda ou ausência de auto-estima. Outras vezes o problema não parece sério dentro da nossa ótica, mas, devemos reconhecer sua seriedade para a pessoa.

            Procure dividir o problema em várias partes para atacar de diferentes ângulos e separadamente.

            Pergunte se já tem enfrentado a um problema semelhante no passado. Isto fará lembrar que tem habilidades para superar a situação como antes.

            Discuta várias alternativas para resolver o problema. Evite os conselhos estereotipados.

            Não faça perguntas que possam responder com um sim ou não. Busque perguntas refletivas.

            Procure ser objetivo  no presente e nos planos para o futuro. Tenha metas, na maioria dos casos, é preciso a reflexão, esteja pronto para caminhar com a pessoa.

       Admita suas capacidades e limitações. Você é um ser humano e finito. Permita que Deus complemente a sua insuficiência. Tenha o valor de encaminhar até a outra pessoa a seu aconselhado, se você se sentir incômodo no caso.

Pr. Paulo Kim

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